Sem Novidades no Front

Muito embora meu cargo continue à prêmio na internet, eu ainda continuo por aqui.

 Alguns estão dizendo que não é o meu cargo. Outros, que é questão de tempo. De qualquer forma, eu vou levando a vida, um dia de cada vez.

A pulga atrás da orelha deu uma mordida forte ontem, quando a diaba-que-não-veste-prada, com seu novo corte de cabelo que realçou seus piores traços, veio me elogiar, em alto e bom som. Deu medo. Muito medo.

O que esperar de uma chefa que, do nada, fica boazinha?

Muito filme de terror, isso.

Sem delongas

Eu voltei a adolescência. Todos aqueles sentimentos que eu não senti com tanta intensidade voltam, sim, para atormentar com força total.

 Será que eu vou ser feliz para sempre?

 Será que eu sou tão bonita quanto papai e mamãe me falam? E será que isso importa tanto quanto querem me fazer acreditar?

 Se para quem não sabe aonde vai qualquer caminho serve, por que será que eu não encontro o meu caminho? Estaria o ditado errado ou eu sei para onde vou e apenas não sei expressar que sei para onde vou?

Por que será que quando as coisas parecem que estão tomando um rumo, quando eu tomo uma decisão, vem algum fato de fora que me vira a cabeça do avesso e faz com que os meus planos virem pó?

Tostines ainda existe? Ou foi vendido para alguma megaempresa internacional como a kraft alimentos?

Nessa segunda-feira eu recebi meu e-mail da catho, como recebo há tempos. Com vagas novas que foram adicionadas ao banco. Lá, uma vaga com o nome da minha, no mesmo ramo da minha empresa, mesma descrição de cargo, mesmo salário, mesmo tudo.

Só que ninguém me deu um ‘heads up’. E eu passei a semana sem saber se vou ser demitida pela primeira vez na vida. E minha chefe ficou doente e não veio trabalhar nos últimos três dias.

Como trabalhar normalmente com 95% de chance de ser ensacada com alguma alegria no coração? Como resistir à vontade de mandá-la plantar batatas – ou coisa pior?.

 De qualquer forma, eu estava certa em uma coisa: a Tostines é da Nestlé.

Chove, chuva. Chove sem parar

No romance Rebecca, de Daphne Du Maurier, o tempo (metereologia) acompanha a narração de momentos-chave e a partir de um determinado momento, o tempo vai ficando quente, úmido e insuportavelmente insuportável. Deixemos de lado o fato do livro se passar na Inglaterra e que o insuportável deles é provavelmente um diazinho de praia por aqui.

Voltando à narrativa… O estresse assume características peculiares a medida que o tempo fica mais e mais abafado, fazendo com que a heroína vá perdendo seu ar de animalzinho-escurraçado.  E naquele auge, quando a tempestade cai, ela e Maxim finalmente trocam seu beijo cinematográfico (no sentido mais literário da palavra).

E então, com essas idas e vindas de chuvas e pancadas, fica a dica para curtir os temporais deixando a loucura correr livre por entre seus desejos. Aproveite a aproximação do carnaval e junte-se aos humanos com vontade insana de tocar fogo no circo.

Só lembre que quem brinca com fogo faz xixi na cama.

 :)

Do amor.

É sempre um tanto difícil compreender as pessoas. Há quem diga que santos batem, que há uma sintonia, que existe a outra metade da salada de fruta. E que, quando amor – seja de amigo, seja de sexo, seja do que for – bate e chega, acabamos por compreender tudo da outra pessoa.

 Amar os defeitos, as manias bizarras. “Afff, um amor meio cego”, dizem os escaldados.

Mas o romance entre duas pessoas continua aquele caminho de descobrir eternamente as mudanças, as peculiaridades e ver se vai dar pé (alguns se jogam sem medir a profundidade). Aí, o relacionamento toma forma e começam as apresentações com “esse é meu/essa é minha”.

Alguns nesse momento enlouquecem e voltam para o mar, procurando sua lagosta – aquilo não era amor… – e outros partem para demonstrações clássicas que, dependendo do tipo de amor, chegam ao ajoelhar no chão com um anelzinho na mão.

E nesse caminho sobrevivem os que mais se adaptam – e ainda dizem que Darwin está fora de moda – e se ajustam às mudanças climática que incluem TPM, hipertensão, dietas, futebol, religião, sexo, amizades.

Os anos vão passando-passando-passando e como nada é eterno (as exceções só fazem comprovar a regra) num dia o amor olha para o lado e vê que o complemento pode estar ali, naquela outra pessoa. Ah, vai doer acabar com todo o castelo de areia construído, mas, nossa, dessa vez é pra valer. Lágrimas e cenas se passam e outras duas metades perfeitas se encontram.

E assim viverão felizes para sempre. Lembrando que sempre pode terminar ali na esquina.

terapia vs. coaching

Graduar-se é sempre um período de incerteza. E hoje em dia o que não falta é resposta para toda e qualquer questão, transformando-nos, ironicamente, em seres ultradeprimidos.

O quê escolher num mar de escolhas? Como saber o que é certo, o que é melhor, o que irá guiar para um futuro próspero?

Não sou diferente e atualmente estou nesse período. Quando converso com os progenitores, sempre ouço que é questão de tempo. Meus amigos, pobres, estão na mesma situação.  Pessoas que se olham no espelho e se vêem tanto quanto o perdido Dupree (descubra quem é), ‘em busca de’ como Andy Sachs (quem é essa?), além de passar alguns segundos contemplando a vida de Angelina Jolie (ou afins).

É impensável permanecer parado, à espera de algo. Essa é a condição-base. Com MBA e emprego é menos pressão.

Dizem que uma outra condição indispensável é ter um bom jogo de cintura. Saber que dentre 150 propostas enviadas, pode ser que nenhuma tenha uma resposta positiva.  Lembrar de QI, o outro QI, QE, networking, formação contínua… Respirar fundo e não se desesperar.

Eu só ainda não sei bem como funciona essa coisa de colocar objetivos e alcançá-los. Nesse pultimo verbo eu sempre costumo encontrar problemas. Talvez precise de reforço em algum item do QE. Ou de networking. Ou de formação contínua. Deus queira que não seja QI, ou estarei frita.

Dizem que o processo de coaching é ideal para quem não sabe bem que rumo tomar na carreira.  Hmmm, parece tentador ter alguém dando as respostas e ainda indicando para vagas. Uma boa forma de inserção no mercado para quem não tem muita idéia e encontra-se frustrado com a carreira – ou falta de. Mas também parece assustador pagar para ouvir “você deveria ter feito ciências contábeis e não medicina”. Meeeeedo.

E a terapia? Se estamos assim tão deprimidos, seria um caminho para achar a felicidade. E felicidade nos indica para mais felicidade. Funciona mais ou menos como dinheiro atrai dinheiro. Fazer sessões de expurgo mental para aceitar que 38 não é um sapato grande demais, que 38 não é o manequim ideal para todos, que 38 não é idade para se desesperar. Que tanto ciências contábeis quanto medicina podem ser escolhas produtivas e tanto trocam de carreira – o que vai fazer você mais feliz?. Sabendo a resposta, um terapeuta seria inteiramente dispensável.

Eu estou olhando para essa bifurcação.

Será que existe algum coach ou terapeuta para me ajudar nessa escolha?

Já não temos nada

As sementes são espalhadas pelo vento, a terra cobre a semente. A chuva molha o jardim e a vida vai crescendo, tomando forma de árvore. É quase por encanto e quando menos se espera. Um universo inteiro se esquilibra para acolher a plantinha novinha em folha nascendo.

E ela mesma trata de refazer o ciclo, produzindo suas próprias sementes e deixando cada fator agir de seu próprio modo.

A vida continua.

Um belo dia, o terreno em volta da árvore é vendido. A princípio, é pura alegria, pois acredita-se que não há nada melhor do que aproveitar a natureza existente.

Mas o arquiteto muda de idéia e num dia só cortam a árvora pela raiz, sem dar chance de vida à pobre. Ela, sozinha fica na caçamba, olhando para suas folhas murcharem e para seus pedaços todos à sua volta. Percebe que é carregada e jogada no meio do nada. De surpresa vai percebendo que morreu.

 Ainda vai levar um tempo até ela perceber as suas sementes que estão brotando. Há um longo período de apodrecer e virar pó, antes.

Era cedo para comemorar.

Com base na matéria do portal G1 do Globo:

Com o fim da CPMF, os  trabalhadores que recebem até R$ 1.140,00 vão pagar mais à Previdência Social. Ah, e os aposentados até 10 salários mínimos também terão seu desconto. Quem ganha acima disso não sofre alteração.

Mais uma prova do carinho e consideração do querido governo petista com A MAIOR PARTE DA POPULAÇÃO.

Ainda bem que acabou a contribuição provisória. Agora eles não terão problemas para continuar roubando. Ufa.

Fica também o agradecimento aos nossos políticos que sae empenharam tanto em acabar com a CPMF. Bom trabalho, galera. Eu sou brasileira, com muito orgulho e muito amor.

Dos Pequenos e Grandes Engodos da Vida

Sinceramente, esse ano que passou não foi assim, uma Brastemp. O final, então, ficou mais para uma geladeira que dá choques nos incautos do que qualquer coisa. Tudo chegando tão perto para me deixar a ver navios assim, no finzinho das contas. Por isso, não foi muita surpresa eu ter decidido passar o reveillon na gandaia. Pela primeira vez livre-leve-solta.

Meu celular foi bloqueado por que o banco no fez o débito de setembro. E eles aguardaram o dia 28, para não haver chance de resolução a tempo para as ligações da meia-noite. Dia 2, no início das minhas férias, eu tenho reunião. Dia 5 eu tenho que ir trabalhar também. Meu emprego de sonhos voou pela janela assim, no fim das contas. Perdi uma das coisas mais importantes com a sensação de ela nunca ter existido. Tudo isso nos últimos dez dias.

No último momento, larguei para trás meu convite para o reveillon no Forte de Copacabana para uma festa a R$ 100,00 com a promessa de bebidas até o amanhecer. Note que uni bebidas e amanhecer na mesma frase. Ainda fiquei ressabiada com o preço, mas, ah! a juventude!, eu achei que ia ser bacanérrimo e eu curtiria horrores por horas e horas.

A meia-noite chegou no meio de uma canção de Wando. Tudo bem. Passei os primeiros momentos bem acompanhada. Tudo bem. Bebi duas caipivodkas e estava calmamente chegando à terceira. Tudo bem. Fiz amizade com o garçom que nos atendeu da forma mais legal do universo. Tudo bem.

Mas o engodo é mais legal quando dá a aparência de ser uma alegria sem segundas intenções.

A amiga da amiga, uma pirralha inconseqüente e mimada, ah! a juventude!, ficou completamente bêbada à uma da manhã. Quebrou copos, ficou se escorando nas pessoas, quase caiu de uma escadaria, fez o dono da boate ficar esperando por ela na porta do banheiro e ai de quem tentasse encostar um dedo para dizer para ela ficar quieta.  Aí bateu o conhecido sentimento de “ah! estava faltando!…” com ironia, tão familiar em 2007. Todos ficamos pajeando a infeliz, que cismou querer vomitar no chão do restaurante, até que eu quase a arrastei pelos cabelos para o banheiro. O mais irritante pe que a infeliz achou que eu, por não estar me entupindo de bebida, não conseguiria curtir a noite toda.

Resultado?

Da festa que planejei curtir até às 6 am, saí à 1:00 am, com uma pirralha bêbada e mal-educada que me irritou profundamente. A retardada saiu do carro a quarteirões de sua casa procurando por bebida, com a irmã desesperada correndo atrás. A vontade era de dar um tabefe na infeliz.  Com engarrafamente sucessivos, demorei 1:30 até chegar em casa. E fui ver televisão. Afinal, estava num estado de irritação tal que dormir era inexistente.

Acordei hoje com a péssima sensação de um dinheiro que não volta mais, numa noite a que dou adeus com pesar.

 E lembro que amanhã tem reunião no trabalho.

(…)

Above water

Above Water

Tente se manter calmo.

Pense que alguém virá salvá-lo.

 Relaxe.

fig16-2.gif

Fim de Ano

Fim de Ano

Eu trabalho com projetos. Eles são executados pelo ano afora, com calendário já fechado para o ano seguinte. Faço turnos de 12 horas por muitos sábados, fora do meu horário. Tem dias que eu fico histérica de tanta coisa para fazer. Mas, quando acabam os projetos e meu planejamento para o ano seguinte está fechado, acaba o meu trabalho.

Sim, é o caso.

Mas eu não tenho um cargo de confiança. E correspondo a um setor. Portanto, mesmo que não haja absolutamente nada a ser feito, eu sou obrigada a estar na minha mesa de trabalho de 8 as 17.

Na minha sala funcionam mais dois setores. Que também não têm nada para fazer nesse fim-de-ano. Mas esses foram liberados por seus respectivos chefes.

Nem o telefone toca.

Resultado: estou numa sala com mais quatro computadores desligados, com um janelão que dá para o corredor – impossibilitando dar uma de George Costanza e dormir no trabalho – ou mesmo de dançar. E depois de ficar pelas primeiras quatro horas sentada fingindo ter alguma coisa para fazer, eu estou com uma vontade enorme de aumentar o sonzinho – Liz Phair – e sair dançando pela sala num estilo bem Hair de ser. Não precisa ser nua, como fazem os hippies do filme, nem tão coordenadamente trash como em Xanadu, mas simplesmente fazer alguma coisa prazerosa que me dê algum retorno. Estou precisando emagrecer um pouco.

Meu pseudo-chefe dá uma passada por aqui de tempos em tempos. Impossibilitado de me liberar – já que minha verdadeira chefe, na verdade, está pouco se importando comigo e com o meu setor – ele vem, conta umas piadas, libera um pouco de seu TOC arrumando milimetricanmente os enfeites da prateleira, e sai. Da última vez, ele perguntou o que eu fazia. Com uma enorme janela aberta com detalhes de uma festa de reveillon 2008 que não consegui fechar a tempo, preferi nem mentir:

- Vendo meus planos de reveillon. Vai ter bar liberado. Cervejinha, capirinha e red bull chefe.

Ele começou a rir, bateu na minha cabeça com uma régua e saiu.

Não, eu não tenho amor ao meu trabalho.

« Página anteriorPróxima Página »