Do amor.

É sempre um tanto difícil compreender as pessoas. Há quem diga que santos batem, que há uma sintonia, que existe a outra metade da salada de fruta. E que, quando amor – seja de amigo, seja de sexo, seja do que for – bate e chega, acabamos por compreender tudo da outra pessoa.

 Amar os defeitos, as manias bizarras. “Afff, um amor meio cego”, dizem os escaldados.

Mas o romance entre duas pessoas continua aquele caminho de descobrir eternamente as mudanças, as peculiaridades e ver se vai dar pé (alguns se jogam sem medir a profundidade). Aí, o relacionamento toma forma e começam as apresentações com “esse é meu/essa é minha”.

Alguns nesse momento enlouquecem e voltam para o mar, procurando sua lagosta – aquilo não era amor… – e outros partem para demonstrações clássicas que, dependendo do tipo de amor, chegam ao ajoelhar no chão com um anelzinho na mão.

E nesse caminho sobrevivem os que mais se adaptam – e ainda dizem que Darwin está fora de moda – e se ajustam às mudanças climática que incluem TPM, hipertensão, dietas, futebol, religião, sexo, amizades.

Os anos vão passando-passando-passando e como nada é eterno (as exceções só fazem comprovar a regra) num dia o amor olha para o lado e vê que o complemento pode estar ali, naquela outra pessoa. Ah, vai doer acabar com todo o castelo de areia construído, mas, nossa, dessa vez é pra valer. Lágrimas e cenas se passam e outras duas metades perfeitas se encontram.

E assim viverão felizes para sempre. Lembrando que sempre pode terminar ali na esquina.

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