Já não temos nada

As sementes são espalhadas pelo vento, a terra cobre a semente. A chuva molha o jardim e a vida vai crescendo, tomando forma de árvore. É quase por encanto e quando menos se espera. Um universo inteiro se esquilibra para acolher a plantinha novinha em folha nascendo.

E ela mesma trata de refazer o ciclo, produzindo suas próprias sementes e deixando cada fator agir de seu próprio modo.

A vida continua.

Um belo dia, o terreno em volta da árvore é vendido. A princípio, é pura alegria, pois acredita-se que não há nada melhor do que aproveitar a natureza existente.

Mas o arquiteto muda de idéia e num dia só cortam a árvora pela raiz, sem dar chance de vida à pobre. Ela, sozinha fica na caçamba, olhando para suas folhas murcharem e para seus pedaços todos à sua volta. Percebe que é carregada e jogada no meio do nada. De surpresa vai percebendo que morreu.

 Ainda vai levar um tempo até ela perceber as suas sementes que estão brotando. Há um longo período de apodrecer e virar pó, antes.

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