Dos Pequenos e Grandes Engodos da Vida

Sinceramente, esse ano que passou não foi assim, uma Brastemp. O final, então, ficou mais para uma geladeira que dá choques nos incautos do que qualquer coisa. Tudo chegando tão perto para me deixar a ver navios assim, no finzinho das contas. Por isso, não foi muita surpresa eu ter decidido passar o reveillon na gandaia. Pela primeira vez livre-leve-solta.

Meu celular foi bloqueado por que o banco no fez o débito de setembro. E eles aguardaram o dia 28, para não haver chance de resolução a tempo para as ligações da meia-noite. Dia 2, no início das minhas férias, eu tenho reunião. Dia 5 eu tenho que ir trabalhar também. Meu emprego de sonhos voou pela janela assim, no fim das contas. Perdi uma das coisas mais importantes com a sensação de ela nunca ter existido. Tudo isso nos últimos dez dias.

No último momento, larguei para trás meu convite para o reveillon no Forte de Copacabana para uma festa a R$ 100,00 com a promessa de bebidas até o amanhecer. Note que uni bebidas e amanhecer na mesma frase. Ainda fiquei ressabiada com o preço, mas, ah! a juventude!, eu achei que ia ser bacanérrimo e eu curtiria horrores por horas e horas.

A meia-noite chegou no meio de uma canção de Wando. Tudo bem. Passei os primeiros momentos bem acompanhada. Tudo bem. Bebi duas caipivodkas e estava calmamente chegando à terceira. Tudo bem. Fiz amizade com o garçom que nos atendeu da forma mais legal do universo. Tudo bem.

Mas o engodo é mais legal quando dá a aparência de ser uma alegria sem segundas intenções.

A amiga da amiga, uma pirralha inconseqüente e mimada, ah! a juventude!, ficou completamente bêbada à uma da manhã. Quebrou copos, ficou se escorando nas pessoas, quase caiu de uma escadaria, fez o dono da boate ficar esperando por ela na porta do banheiro e ai de quem tentasse encostar um dedo para dizer para ela ficar quieta.  Aí bateu o conhecido sentimento de “ah! estava faltando!…” com ironia, tão familiar em 2007. Todos ficamos pajeando a infeliz, que cismou querer vomitar no chão do restaurante, até que eu quase a arrastei pelos cabelos para o banheiro. O mais irritante pe que a infeliz achou que eu, por não estar me entupindo de bebida, não conseguiria curtir a noite toda.

Resultado?

Da festa que planejei curtir até às 6 am, saí à 1:00 am, com uma pirralha bêbada e mal-educada que me irritou profundamente. A retardada saiu do carro a quarteirões de sua casa procurando por bebida, com a irmã desesperada correndo atrás. A vontade era de dar um tabefe na infeliz.  Com engarrafamente sucessivos, demorei 1:30 até chegar em casa. E fui ver televisão. Afinal, estava num estado de irritação tal que dormir era inexistente.

Acordei hoje com a péssima sensação de um dinheiro que não volta mais, numa noite a que dou adeus com pesar.

 E lembro que amanhã tem reunião no trabalho.

(…)

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