Na Corda Bamba
Na Corda Bamba
A vontade é de começar com uma retrospectiva. E uma frase/pensamento/filosofia/palavra, tal como me pediria Marília Gabriela, para me definir:
Sou de uma faculdade que ninguém conhece, maravilhosa, formação 10, mas que até hoje só me rendeu olhares meio de lado e perda de mercado para oriundos da comunicação, publicidade e marketing (sem ressentimentos). Também sou formada em Artes Dramáticas, mas nunca cheguei a pegar o diploma, pois descobri ao final do curso que–hm–bem–não me adiantaria muita coisa um diploma de atriz.
Trabalho apenas e somente por dinheiro. E não ganho quase nada.
Curti a minha vida achando que aos 24 anos já estaria estabilizada, vivendo como atriz de teatro e cinema, casada, com uma filha adotiva e andando em meu carro voador. Já expirei minha data de validade em dois anos a partir disso e nenhuma das previsões virou realidade.
Até os 8 anos eu achava que as pessoas na televisões eram pequeninos serem que viviam dentro da caixa, tudo ao vivo somente para mim.
Até os 5, achava que meu pai e meu tio eram a mesma pessoa. No dia em que os vi no mesmo cômodo, eu tive uma crise histérica.
Também aos 5, meus irmãos me convenceram que eu não tinha o buraco do ouvido e meus pais não tinham dinheiro para a operação.
Aos 3 anos meu irmão atirou uma tesourinha de unha no meu olho (eu tenho uma cicatriz no globo ocular! cool!) Aos 6 eu caí de um barranco brincando de carrinho. Aos 8 eu atirei um pincel no olho do meu irmão. Aos 9 eu desisti de ser dama de honra no meio de uma igreja lotada. Aos 11 eu ganhei meu primeiro presente de um menino. Aos 12 eu desisti desse menino porque a minha melhor amiga também gostava dele.
Nunca recebi flores de um homem. Nem jamais ganhei presente de Dia dos Namorados. Uma imensa dor-de-cotovelo.
Tenho por costume escrever cartas que nunca envio. Algumas acabam sendo publicadas. Outras eu acabo falando depois de umas caipirinhas. E quase me mato por tê-lo feito – o que leva ao fato de eu ser uma pessoa extremamente verdadeira. Uma dádiva e minha eterna perdição.
Passei a metade desse último ano me controlando. E já estou às portas da loucura de vontade de ir ao ataque. Porque ninguém merece chegar tão perto e acabar sem nada.
Fui erroneamente diagnosticada até hoje como tendo gastrite, úlcera, câncer, alergia a fermento e alergia a suor (na verdade, essa eu inventei para escapar da educação física).
O que eu realmente sou é míope, celíaca/intolerante ao glúten (que há pouquíssimo tempo eu nem sabia o que era), além de ter começado um tratamento para ansiedade. Que eu não sabia ser uma condição tratável.
Já fiz terapia, mas acabei também sendo terapeuta da minha terapeuta. Nossas sessões duravam 2-2:30 horas. E nesse ano já fui intimada ao retornar ao divã.
Há três dias bebi meia garrafa de vodka. Não lembro de nada, juro. Mas acordei num estado deplorável. E celebrei com uma caipirinha.
Eu presto mais atenção nas letras do que na música, o que me rende tanta dor de cabeça…
Eu vivo as situações por antecipação. E elas nunca saem como eu imaginei. Infelizmente.
Já fiz muita, mas muita merda pensando que estava abafando. Mas não me arrependo nem de meia.
Também já abafei bonito pensando ter feito merda. É uma linha muito fina.
E por fim, a frase: “Eu quero beijos intermináveis até que os olhos mudem de cor”. O resto a gente arruma. Preferencialmente de mãos dadas ao entardecer.
Eu sou uma incurável romântica.
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